Importância do visual

Pergunta do internauta:

O que leva uma pessoa a acumular coisas dentro de casa, a ponto de não ter lugar para receber amigos ou parentes? Por que pessoas que fazem isso não conseguem se desfazer dessas coisas e chegam até a brigar, quando são confrontadas?

Dividir um mesmo ambiente com alguém pode ser mais difícil do que pode parecer. Nem sempre “juntar as escovas de dentes” é algo simples como aparenta. Em alguns casos, a dificuldade pode estar relacionada com a forma diferente com que as pessoas se relacionam com o mundo externo.

A decoração da casa, ou a disposição de objetos na mesa de trabalho, pode ser considerada uma representação psíquica projetada no ambiente, na estética do lugar, no visual.

Há aqueles que se sentem bem em um ambiente desorganizado, e podem dizer que “só conseguem se achar em sua bagunça”, como há os que não podem ver nada fora de seu devido lugar e preferem algo rigidamente organizado. Entre os dois extremos existem variadas formas de se relacionar com o ambiente, mas em todas elas estará representado no mundo externo algo de nosso próprio psiquismo.

É como se o local onde vivemos seja uma extensão de nosso mundo interno, nosso “habitat” criado a partir de nossos conflitos inconscientes. O hábito de acumular coisas pode ser uma defesa do psiquismo. O fato de os objetos acumulados impedirem a presença de amigos e convidados pode mesmo estar relacionado à agressividade inconsciente, para “atacar” o que é percebido como uma “invasão”.

A agressividade deve ser uma defesa para o que é inconscientemente vivido como uma invasão insuportável do mundo externo. Desfazer-se de algum objeto acumulado, pode ser sentido psiquicamente como uma ameaça de perder algo de si muito valioso, sem o qual ficaria impossível conseguir viver.

O que é importante esclarecer, é que essas pessoas são também vítimas e sofrem muito com tal situação, embora façam também sofrer aqueles com quem convivem. É como se não houvesse outra forma possível de se relacionar com o mundo. O acúmulo dos objetos e o caos gerado por isso são formas precárias de defesa e representações de seu psiquismo, mas são as únicas defesas disponíveis no momento. Pode ser possível com ajuda externa criar condições possíveis para “se libertar” de tal condição. Claro que em cada caso haverá particularidades, mas em situações extremas como esta, pode ser um sintoma de uma saúde mental que precisa de ajuda para se restabelecer.

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